El Niño e conta de luz podem estar mais relacionados do que muitos consumidores imaginam. Com a previsão de intensificação do fenômeno nos próximos meses, mudanças no regime de chuvas e nas temperaturas podem afetar tanto a geração quanto o consumo de energia no Brasil.
O consumidor deve se preparar para o consumo de energia nos próximos meses. A formação do que vem sendo chamado de super El Niño já começou, e deverá atingir seu pico entre os meses de outubro e dezembro próximos. O fenômeno climático refere-se a um aquecimento irregular das águas do Oceano Pacífico nas proximidades da Linha do Equador. O evento modifica a circulação dos ventos, provocando alterações climáticas anormais.
No Brasil, os principais efeitos do El Niño costumam ser a ocorrência de secas nas regiões Norte e Nordeste e de fortes ondas de calor no Sudeste. No Sul, o risco é de aumento no volume de chuvas, capazes de ocasionar até mesmo enchentes, como a que impactou o Rio Grande do Sul em 2024. Esses efeitos tendem a atingir também a geração de energia pelas usinas hidrelétricas.
“Com a seca invadindo boa parte do país, existe o temor de que os níveis dos reservatórios das hidrelétricas sejam bastante afetados, pressionando os custos da produção e da distribuição de energia. Isso deve acontecer principalmente nas usinas localizadas nas regiões Norte e Nordeste, e ainda nas do Sudeste”, esclarece Felipe Carvalho, engenheiro, especialista em energia solar e CEO da ClickLivre Energia.
Por conta disso, ele não descarta a possibilidade de a Aneel adotar a bandeira vermelha no último trimestre do ano. Paralelamente, o executivo aposta no aumento das contas de luz no período devido à própria elevação do consumo de aparelhos domésticos como ventilador e ar-condicionado. “São duas tendências que, juntas, podem causar um estrago no bolso do consumidor, as contas de luz tendem a ficar mais caras no segundo semestre”, analisa.
El Niño e conta de luz: por que o fenômeno pode aumentar os gastos?
Mas nem a taxação extra através das bandeiras tarifárias nem a mudança de comportamento do consumo são suficientes para eliminar a possibilidade de economizar no ápice do super El Niño. Felipe Carvalho sugere algumas formas de evitar o aumento da conta de luz. “São pequenos hábitos que fazem a diferença no fim do mês. Não deixar a luz acesa quando não estiver em uso, usar com inteligência o ventilador e o ar-condicionado, evitar banhos quentes e por aí vai. Outra possibilidade que gera uma economia de verdade aderir à solar por assinatura”, recomenda o CEO da ClickLivre Energia.
Ele enfatiza que a dependência de fontes hidrelétricas pode afetar o bolso, principalmente diante da previsão do El Niño. Já a energia por assinatura, segundo ele, permitiria ao consumidor escapar das intempéries climáticas. “Há muitas vantagens com a energia solar, e, num momento de instabilidade do clima, não se submeter a esses riscos passa a ser mais uma. De forma rápida e simples, sem instalações nem investimentos, é possível aderir a formas econômicas e inteligentes de economizar na conta de luz”, sentencia Felipe Carvalho.
Na agenda dos brasileiros em 2026 estão a Copa do Mundo – já finalizada –, as eleições nacionais – previstas para outubro – e o Super El Niño, fenômeno climático que está em processo de formação e que deverá ter seu pico entre os meses de outubro e dezembro. Este evento, em particular, merece atenção redobrada da população, particularmente no que se refere à geração e distribuição de energia.
Mas, para explicar esses impactos, é importante entender o fenômeno. Muito se ouve nos noticiários sobre El Niño e La Niña, mas poucas pessoas compreendem, de fato, o que eles representam. O El Niño consiste no aquecimento atípico das águas do Oceano Pacífico Equatorial, próximo, portanto, à linha do Equador. Esse aquecimento, quando ocorre, interfere na circulação natural dos ventos, provocando mudanças climáticas e alterações na temperatura.
No Brasil, o El Niño provoca a incidência de seca e calor nas regiões Norte e Nordeste e fortes ondas de calor no Sudeste. No Sul, o risco é de grande volume de chuvas, capazes de ocasionar até enchentes. Quando o fenômeno é o La Niña, as águas do Pacífico próximo ao Equador passam por um esfriamento irregular, intensificando as chuvas no Norte e no Nordeste e a seca no Sul, enquanto o Sudeste e o Centro-Oeste ficam instáveis.

Fato é que há, para este ano, a previsão de um super El Niño, o que deve aumentar ainda mais as adversidades climáticas. Com chances de ser um dos mais intensos dos últimos anos, o fenômeno já está em sua fase inicial, segundo especialistas. Mas, na fase mais crítica, no fim do ano, tende a afetar a geração e distribuição de energia. Isto ocorre porque ainda somos um país cuja principal matriz energética são as hidrelétricas. A geração, neste caso, depende da manutenção dos níveis dos reservatórios onde as usinas estão instaladas.
Com a seca chegando em boa parte do país, existe o temor de que os níveis dos reservatórios sejam fortemente afetados, pressionando os custos da produção de energia, sobretudo nas usinas localizadas nas regiões Norte e Nordeste e possivelmente também no Sudeste. Ao mesmo tempo, a onda de calor interfere nos hábitos dos consumidores, que passam a usar com mais frequência o ar-condicionado e o ventilador. Isso pode deixar as contas de luz mais elevadas, com a possível adesão da bandeira vermelha, justamente em decorrência do volume de água reduzido.
Ou seja, o El Niño pode trazer consigo dois efeitos simultâneos que resultam em contas de luz mais altas para os usuários de energia de fontes hidrelétricas: tanto pelo consumo de eletrodomésticos quanto pelo possível encarecimento através das bandeiras impostas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
São hábitos já conhecidos de boa parte da população, mas que, neste momento, vale rememorar: evitar deixar luzes acesas em ambientes que não estão sendo usados, fazer uso consciente de aparelhos domésticos, como ventilador, ar-condicionado e máquina de lavar, além de abrir mão de banhos quentes durante o período de altas temperaturas. Na medida do possível, também é válido retirar aparelhos da tomada para fugir do modo stand-by, que também gasta energia.
O autor é Felipe Carvalho, engenheiro, especialista em energia e CEO da ClickLivre Energia
FAQ: El Niño, consumo de energia e conta de luz
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere na circulação dos ventos e pode provocar mudanças importantes no regime de chuvas e nas temperaturas em diferentes regiões.
Como o El Niño pode afetar o Brasil?
No Brasil, o fenômeno pode provocar períodos de seca e calor mais intenso em algumas regiões e aumento das chuvas em outras. Essas mudanças também podem influenciar a geração de energia e o comportamento de consumo da população.
O El Niño pode aumentar a conta de luz?
Sim. O aumento das temperaturas pode elevar o uso de aparelhos como ventiladores e ar-condicionado, aumentando o consumo de energia. Além disso, períodos de seca podem afetar os reservatórios das hidrelétricas e pressionar os custos do sistema elétrico.
O que são as bandeiras tarifárias?
As bandeiras tarifárias indicam as condições de geração de energia no país. Quando a geração fica mais cara, podem ser aplicados valores adicionais à conta de luz, dependendo da bandeira definida para o período.
Como economizar energia durante períodos de calor intenso?
Algumas atitudes ajudam a reduzir o consumo, como apagar as luzes de ambientes vazios, utilizar ventiladores e ar-condicionado de forma consciente, evitar banhos muito quentes e reduzir o tempo de uso de equipamentos de maior consumo.
A energia solar por assinatura exige instalação de placas?
Não. No modelo de energia solar por assinatura, o consumidor pode aproveitar os benefícios da geração solar sem instalar placas no imóvel, realizar obras ou fazer investimento.
Como a energia por assinatura pode ajudar na economia?
A energia é gerada em fazendas solares e injetada na rede de distribuição. A energia destinada à unidade consumidora é contabilizada por meio do sistema de compensação, gerando créditos aplicados à conta de luz e contribuindo para a redução do valor pago pelo consumidor.


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